Como as quadrilhas de golpes do Triângulo Dourado usam IA
Grupos criminosos baseados nas regiões de fronteira de Mianmar, Laos e Tailândia, e redes ligadas a eles no Camboja, comandam fraudes em escala industrial a partir de complexos fortificados, em parte operados por trabalhadores vítimas de tráfico de pessoas. Eles adotaram rapidamente a IA generativa.

Resumo
Grupos criminosos baseados nas regiões de fronteira de Mianmar, Laos e Tailândia, além de redes ligadas a eles no Camboja, comandam fraudes em escala industrial a partir de complexos fortificados, em parte operados por trabalhadores vítimas de tráfico de pessoas. Eles adotaram rapidamente a inteligência artificial generativa. Usam a tecnologia para escrever e traduzir roteiros, criar perfis falsos e pôr um rosto e uma voz emprestados em chamadas de vídeo. As ofensivas de 2025 e 2026 derrubaram prédios, libertaram milhares de pessoas e levaram a execuções na China. Analistas da ONU afirmam que as operações, em grande parte, foram para outros lugares em vez de acabar.
A região e os complexos
Os complexos industriais de golpes se firmaram na região do Triângulo Dourado depois que a pandemia de covid-19 reduziu a receita dos cassinos e o golpe militar de 2021 em Mianmar enfraqueceu o controle do Estado. Os principais polos são:
- O distrito de Myawaddy, no Estado Karen (Kayin), em Mianmar, às margens do rio Moei, em frente a Mae Sot, na Tailândia. Ali ficam Shwe Kokko (Yatai New City), desenvolvida pelo grupo chinês Yatai com a milícia liderada por Saw Chit Thu,[1][2] e, mais ao sul, KK Park.[3] Uma análise de imagens de satélite da AFP identificou outros 27 centros de golpes suspeitos no polo de Myawaddy.[4]
- Estado Shan, em Mianmar: a região de Kokang, em torno de Laukkai, as áreas de Wa e Mongla, na fronteira com a China, e Tachileik, em frente a Mae Sai, na Tailândia.
- A Zona Econômica Especial do Triângulo Dourado (GTSEZ), na província de Bokeo, no Laos. O Kings Romans Group, de Zhao Wei, a administra sob uma concessão de longo prazo desde 2007.[5][6] O Tesouro dos EUA aplicou sanções a Zhao Wei, à Kings Romans e à "Zhao Wei Transnational Crime Organization" em janeiro de 2018.[7]
Trabalho forçado e tráfico de pessoas
Recrutadores anunciam vagas de atendimento ao cliente, de TI ou de tradução na Tailândia, muitas vezes em redes sociais ou no Telegram. Os recrutados são levados para o outro lado da fronteira, têm os passaportes confiscados e são obrigados a aplicar golpes sob ameaça de espancamento, choques elétricos, servidão por dívida ou revenda a outros complexos. O relatório Inflection Point, publicado em abril de 2025 pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), constatou que os grupos de golpistas montaram centros de recrutamento até em Dubai.[8]
As estimativas de quantas pessoas trabalham nos complexos variam, e alguns trabalhadores entram por vontade própria:
- Em 2023, o escritório de direitos humanos da ONU (OHCHR) estimou que pelo menos 120.000 pessoas eram mantidas em operações de golpes em Mianmar e pelo menos 100.000 no Camboja.[9]
- O relatório do OHCHR de fevereiro de 2026, "A Wicked Problem", cita estimativas confiáveis de que pelo menos 300.000 pessoas trabalham em operações de golpes no Sudeste Asiático, vindas de pelo menos 66 países. O documento concluiu que 74% dos complexos identificados estavam na região do Mekong. Todas as vítimas entrevistadas descreveram maus-tratos "equivalentes a tortura", e algumas relataram jornadas de até 19 horas.[10]
- A avaliação de ameaças do UNODC de julho de 2026 diz que pessoas de pelo menos 80 países e territórios já foram identificadas nos complexos da região.[11]
- Em carta enviada à polícia tailandesa em 22 de junho de 2026, noticiada pela Al Jazeera, a Rede da Sociedade Civil de Assistência às Vítimas de Tráfico de Pessoas, sediada na Tailândia, afirmou que mais de 5.300 pessoas ainda estavam presas em quatro locais de Mianmar controlados pelo Exército Budista Democrático Karen, cerca de 1.600 delas chinesas.
Golpe do abate de porcos
O principal produto é o golpe do "abate de porcos" (sha zhu pan, em chinês). Os golpistas constroem um relacionamento ao longo de semanas ou meses, muitas vezes amoroso, às vezes apresentado como amizade ou mentoria de negócios. Depois, conduzem a vítima a uma falsa plataforma de negociação de criptomoedas ou de ouro, que exibe lucros inventados. A vítima é incentivada a investir mais e a pedir dinheiro emprestado para isso. As tentativas de saque provocam cobranças de "impostos" ou "taxas" antes de os golpistas sumirem. Em geral, vem em seguida um golpe de "recuperação". O Relatório de Crimes na Internet de 2025 do FBI diz que os golpes de investimento em criptomoedas "são em grande parte praticados por organizações criminosas do Sudeste Asiático que usam vítimas de tráfico de pessoas como mão de obra forçada". Esses golpes causaram US$ 7,2 bilhões em perdas declaradas nos Estados Unidos em 2025.[12]
Como a IA é usada
Roteiros, tradução e escala. Os grandes modelos de linguagem permitem que trabalhadores com pouco domínio de inglês, japonês ou coreano escrevam mensagens fluentes e personalizadas. Eles podem conduzir muitas conversas ao mesmo tempo e ajustar o tom para cada alvo. O relatório do OHCHR de 2026, resumido pela Forbes, descreve "um uso amplo e crescente de inteligência artificial (IA) nas operações de golpes: para gerar roteiros e conteúdo multilíngue, identificar alvos, produzir deepfakes para fins de falsa identidade e facilitar a lavagem de dinheiro".[13] O FBI diz que os golpistas de investimento usam IA "para gerar rapidamente milhares de conversas que parecem diferentes para cada possível vítima".[12] O documento técnico do UNODC de setembro de 2025 alerta que a IA generativa "poderia viabilizar ainda mais essas operações ao automatizar conversas de golpe em tempo real". O documento também registra indícios de que grandes modelos de linguagem já são usados na região.[14] Uma investigação da ABC News (Austrália) em 2024 encontrou, no Telegram, anúncios dirigidos a operadores de complexos que ofereciam ferramentas de tradução por IA integradas a aplicativos de mensagens.[15]
Troca de rosto em chamadas de vídeo. As vítimas costumam pedir uma chamada de vídeo antes de mandar dinheiro. Os complexos respondem a isso com programas de troca de rosto em tempo real, geralmente operados por um funcionário ou por um "modelo" contratado, cujo rosto é substituído pelo do perfil. A ABC informou em maio de 2024 que alguns complexos de Mianmar usavam tecnologia avançada de troca de rosto. Um vendedor no Telegram oferecia instalação "porta a porta" no Camboja e afirmava ter instalado seu produto em mais de 1.000 complexos.[15] Trata-se de uma alegação publicitária do vendedor, que não foi verificada. O documento técnico do UNODC de setembro de 2025 cita um produto pelo nome, o AIFace, identificado pelo monitoramento de mercados do Telegram em que ferramentas de deepfake são vendidas como serviço, embaladas com manuais de golpe. O documento também descreve prisões, em um centro de golpes em Poipet, no Camboja, de pessoas que usavam clonagem de voz por IA e vídeo deepfake em tempo real para se passar por outras.[14]
Clonagem de voz. O relatório do UNODC de 2024 inclui uma seção sobre clonagem de voz e deepfakes de áudio integrados.[16] As vozes clonadas sustentam a falsa identidade de policiais, autoridades e parentes e combinam com o rosto sintético nas chamadas de vídeo.
Perfis e documentos gerados por IA. Fotos de perfil sintéticas escapam das buscas reversas de imagens que pegam fotos roubadas. As ferramentas generativas também produzem documentos de identidade, extratos bancários e capturas de tela de plataformas de negociação falsos. O UNODC documentou um aumento de 704% nos "ataques de injeção" de troca de rosto contra a verificação de identidade no segundo semestre de 2023, número extraído de dados do setor, além de vendedores no Telegram que oferecem serviços para burlar a verificação de identidade (KYC).[16][17]
Uma cadeia de suprimentos no Telegram. O relatório do UNODC de outubro de 2024 constatou que os mercados clandestinos de dados estavam migrando para o Telegram. No maior mercado estudado, as categorias de vendedores incluíam "desenvolvimento e instalação de software de deepfake".[18][17] A pesquisa da Chainalysis de 2026 sobre crimes com criptomoedas concluiu que os golpes com ligações rastreáveis na blockchain a fornecedores chineses de IA que atuam no Telegram e vendem software de troca de rosto, ferramentas de deepfake e grandes modelos de linguagem tendiam a roubar mais e a crescer mais rápido.[19] O analista do UNODC John Wojcik chamou a IA generativa de "um poderoso multiplicador de força para atividades criminosas".[20]
A IA não substituiu a mão de obra submetida ao tráfico de pessoas. Operadores humanos ainda conduzem as conversas, fecham os negócios e lavam os lucros. A IA reduz a barreira do idioma e facilita passar no teste da chamada de vídeo.
Receitas e perdas
Todos os números de receita são estimativas, calculadas por métodos diferentes:
- UNODC, outubro de 2024: US$ 18–37 bilhões em perdas das vítimas com golpes no Leste e no Sudeste Asiático em 2023.[20]
- UNODC, abril de 2025: centenas de complexos em escala industrial gerando "pouco menos de US$ 40 bilhões em lucros anuais".[21]
- Instituto de Paz dos EUA (USIP), segundo citação da Comissão de Revisão Econômica e de Segurança EUA-China: os golpes do tipo abate de porcos geraram US$ 63,9 bilhões no mundo em 2023. Os centros de golpes em Mianmar, no Camboja e no Laos geraram cerca de US$ 43,8 bilhões, aproximadamente 40% do PIB oficial somado dos três países.[22]
- Governo dos EUA: os americanos perderam pelo menos US$ 10 bilhões para operações de golpes do Sudeste Asiático em 2024, segundo o Departamento de Estado em setembro de 2025.[23][24][25]
- Avaliação de ameaças do UNODC de 2026 (An Interconnected Criminal Ecosystem, julho de 2026): perdas combinadas com golpes no Leste Asiático, no Sudeste Asiático, na Austrália e na Nova Zelândia de US$ 88,3–114,1 bilhões em 2025.[11][26] Nem tudo isso vem dos complexos.
- Só Shwe Kokko: cerca de US$ 192 milhões em receita em 2024, dos quais aproximadamente metade foi repassada aos militares de Mianmar, segundo um resumo do Conselho Empresarial EUA-Asean sobre pesquisas relacionadas a sanções.[27]
Sanções e processos
O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Tesouro dos EUA tem mirado os protetores e os donos dos complexos:
- 5 de maio de 2025: designou o Exército Nacional Karen (KNA) como organização criminosa transnacional, junto com seu líder, Saw Chit Thu, e os filhos dele, Saw Htoo Eh Moo e Saw Chit Chit.[28][29] O Tesouro disse que sobreviventes de KK Park relataram que os guardas usavam insígnias do KNA. O Reino Unido sancionou Saw Chit Thu em 2023, e a União Europeia, em 2024.[30]
- 8 de setembro de 2025: sancionou nove alvos ligados a Shwe Kokko, entre eles dois subordinados de Saw Chit Thu, além de dez alvos baseados no Camboja.[23][24][28]
- 12 de novembro de 2025: designou o Exército Benevolente Democrático Karen (DKBA) e quatro de seus líderes por apoiarem centros de golpes.[28]
O caso do Prince Group está centrado no Camboja, mas autoridades dos EUA e do Reino Unido dizem que o grupo também comandava operações de golpes em Mianmar.[31] Em 14 de outubro de 2025, promotores do Brooklyn acusaram o fundador, Chen Zhi, de fraude eletrônica e de conspiração para lavagem de dinheiro.[32] O Departamento de Justiça entrou com uma ação de confisco de 127.271 bitcoins, que valiam cerca de US$ 15 bilhões na época, a maior de sua história.[33] Os EUA e o Reino Unido sancionaram 146 pessoas e entidades ligadas ao grupo.[31] O Camboja prendeu Chen em 6 de janeiro de 2026, revogou sua cidadania e o enviou à China[33] no dia seguinte. Chen e o Prince Group negam irregularidades.[34] O Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) noticiou aparentes irregularidades na acusação americana, incluindo fotografias sem ligação clara com o grupo.[35] O confisco ainda não é definitivo.[32]
Em novembro de 2025, os EUA lançaram uma Scam Center Strike Force (força-tarefa contra centros de golpes), liderada pela Promotoria Federal do Distrito de Colúmbia com o FBI, o Serviço Secreto e o Departamento de Justiça. Ela informou mais de US$ 580 milhões congelados ou apreendidos até fevereiro de 2026 e mais de US$ 700 milhões bloqueados até abril de 2026.[36][37] Entre outras ações, apreendeu 503 domínios de investimento falsos e, pela primeira vez, um canal do Telegram, e acusou supostos gestores do complexo de Shunda, em Mianmar.[37][38] Em setembro de 2026, disse ter bloqueado US$ 52 milhões em um único dia ao mirar um mercado do Telegram operado por chineses e voltado a golpistas.[39]
Ofensivas, 2025–2026
China e o norte do Estado Shan. Sob pressão chinesa, milícias e forças de resistência entregaram dezenas de milhares de suspeitos de Laukkai e de outras áreas de fronteira. O USIP informou que a China havia repatriado quase 45.000 pessoas até o início de 2024, empurrando as quadrilhas para o sul, em direção ao Estado Karen, ao Laos e ao Camboja.[40] Depois, a Justiça chinesa foi atrás das famílias criminosas de Kokang:
- Família Bai: o Tribunal Popular Intermediário de Shenzhen condenou cinco integrantes à morte em novembro de 2025, e a China anunciou quatro execuções em 2 de fevereiro de 2026. O patriarca, Bai Suocheng, morreu de doença antes de ser executado.[41][42]
- Família Ming: 11 integrantes foram condenados à morte em setembro de 2025 por crimes que incluem a morte de 14 cidadãos chineses e fraudes e jogos de azar que somam mais de US$ 1 bilhão. A China anunciou as execuções em 29 de janeiro de 2026.[43][44]
- She Zhijiang, o fundador da Yatai por trás de Shwe Kokko, foi extraditado da Tailândia para a China em novembro de 2025.[45]
Reportagens locais do site The Irrawaddy dizem que centros de golpes continuam ativos em partes do Estado Shan controladas pela junta militar ou pelo Exército Unido do Estado Wa.[46]
Os cortes da Tailândia. Em 5 de fevereiro de 2025, a Tailândia cortou a eletricidade, a internet e o combustível em cinco pontos de conexão na fronteira que atendiam Myawaddy, Payathonzu e Tachileik.[5][47][48] A medida veio depois do resgate, em janeiro de 2025, do ator chinês Wang Xing em um complexo de Myawaddy, que provocou indignação pública.[9][27][49] Os complexos passaram a usar geradores e terminais Starlink.[50][51] Cerca de 7.000 trabalhadores foram libertados ao longo da fronteira nas semanas seguintes, muitos dos quais ficaram retidos por semanas à espera de repatriação.[10][52]
KK Park e Shwe Kokko. Os militares de Mianmar anunciaram em 20 de outubro de 2025 que haviam invadido KK Park, encontrado cerca de 2.200 trabalhadores em aproximadamente 200 prédios e apreendido 30 conjuntos de equipamentos Starlink. A AFP observou que imagens de drones mostravam quase 80 antenas parabólicas em um único telhado.[53] A SpaceX disse ter desativado milhares de terminais Starlink perto de centros de golpes, e o Comitê Econômico Conjunto do Congresso dos EUA abriu uma investigação.[52][53] Seguiu-se uma campanha de demolição que durou semanas. A imprensa estatal chinesa informou que 398 de 635 prédios classificados como ilegais tinham sido postos abaixo até meados de dezembro de 2025,[54] embora veículos de Mianmar tenham divulgado balanços conflitantes. Em Shwe Kokko, o Ministério da Informação de Mianmar informou a prisão de 1.367 estrangeiros e a apreensão de 101 unidades Starlink e 21.750 telefones.[55] A junta militar afirmou que mais de 70.000 estrangeiros de 54 países haviam sido repatriados em dois anos.[54] Essa afirmação não pode ser verificada de forma independente.
Observadores independentes foram céticos. O especialista em crime transnacional Jason Tower disse à CNN em outubro de 2025 que a operação em KK Park foi "mais uma jogada de relações públicas do que uma ofensiva" e "negócios como de costume" para dezenas de complexos ao longo do rio Moei. Uma análise de satélite da C4ADS constatou que 14 dos 21 complexos conhecidos de Myawaddy haviam sido construídos ou ampliados durante 2025. A AP informou que apenas cerca de 1.500 trabalhadores de KK Park saíram por canais oficiais tailandeses; os demais seguiram seus chefes para outros complexos.[56] No lançamento da avaliação do UNODC de 2026, seu analista regional Seong Jae Shin disse sobre os complexos demolidos: "Eles foram destruídos, mas nenhuma das operações parou." Ele afirmou que as operações haviam se mudado para casarões e residências particulares.[57]
Laos. As autoridades laosianas deram aos operadores de golpes da GTSEZ até 25 de agosto de 2024 para deixar a zona e, depois, invadiram call centers com a polícia chinesa.[58][59] No início de 2025, o Ministério da Segurança Pública do Laos declarou que não restavam quadrilhas de call centers na zona.[60] A Shan Herald Agency for News informou que a intensificação das batidas chinesas e laosianas em novembro de 2025 empurrou muitas operações para fora da zona,[5] enquanto o cassino Kings Romans continuou aberto.[59] Zhao Wei continua sob sanções dos EUA. O Estado laosiano recebeu, segundo se informa, uma participação de 20% nos negócios da zona[61] e condecorou Zhao com medalhas nacionais ainda em dezembro de 2024.[58]
A situação no fim de 2026
Os grandes complexos se tornaram politicamente custosos e fisicamente vulneráveis. As operações estão se espalhando para locais menores, outras partes de Mianmar, o Camboja, as Filipinas e além, inclusive a África, onde a Strike Force dos EUA já atuou.[39] A IA facilita essa dispersão, porque uma equipe menor, com ferramentas de tradução e de troca de rosto, ainda consegue alcançar vítimas em muitos idiomas. O UNODC alerta que os grupos criminosos estão caminhando para uma fraude automatizada "que exige interação humana mínima".[11] Se isso acontecer, o vínculo entre tráfico de pessoas e golpes pode se enfraquecer sem que a fraude diminua.
Fontes
- Saw Chit Thu
- Shwe Kokko: The Making of a Transnational Scam City - Bangladesh Defence Journal
- KK Park: One of Southeast Asia’s Largest Scam Centers
- Myanmar Military Raids Major Scam Hub Close to Border With Thailand
- Border Raids and Moving Targets: How Scam Networks Thrive in the Golden Triangle - Shan Herald Agency for News
- Zhao Wei (businessman)
- Golden Triangle Special Economic Zone
- Analysis|UNODC Releases Report: “Global Implications of Scam Centres, Underground Banking and Illicit Online Marketplaces in Southeast Asia”
- Scam center
- UN News, February 2026: OHCHR report on scam operations in Southeast Asia
- New UNODC report reveals scale of South-East Asia’s ever more interconnected criminal economy
- FBI Internet Crime Complaint Center, 2025 Internet Crime Report (PDF)
- UN Report Exposes Human Trafficking Behind Southeast Asia Scam Centers
- Emerging threats: The intersection of criminal and technological innovation
- From face-swapping to chatbots — here's how South-East Asia's scammers are using AI tools
- Transnational Organized Crime and the Convergence of Cyber-Enabled Fraud,
- Cybersecurity & Tech
- www.malaymail.com
- 2026 Crypto Crime Report: Scams
- Billion-dollar cyberfraud industry expands in Southeast Asia as criminals adopt new technologies
- Cyberfraud in the Mekong reaches inflection point, UNODC reveals
- China's Exploitation of Scam Centers in Southeast Asia
- Imposing Sanctions on Online Scam Centers in Southeast Asia - United States Department of State
- The Nexus Between Cybercrime and Corruption
- Deepfakes, voice cloning and weaponised AI: Global wake-up call to organised fraud
- Streamlinefeed
- OFAC sanctions Karen National Army and Saw Chit Thu
- Treasury Sanctions Burma Armed Group and Companies Linked to Organized Crime Targeting Americans
- U.S. Sanctions Escalate Against Shwe Kokko Scam Hub: Exposing KNU’s Shadowy Links to Saw Chit Thu
- Treasury Sanctions Burma Warlord and Militia Tied to Cyber Scam Operations - U.S. Embassy in Burma
- Prince Group transnational criminal organization case
- Seized Bitcoin Is Not Yet Justice -By Fransiscus Nanga Roka - Opinion Nigeria
- Chen Zhi Prince Group Sanctions: Inside the $15B Crypto Scam Network Targeting Americans
- Cambodia: Chairman of Prince Group arrested and extradited to China for transnational crime probes months after his indictment over online scams and fraud in US court - Business and Human Rights Centre
- Questions swirl around US plans for record $15B Prince Group crypto seizure - ICIJ
- D.C. Scam Center Strike Force Seizures of Cryptocurrency from Chinese Transnational Criminals Tops $580 Million
- U.S. Crackdown on Southeast Asian Crypto Scam Centers
- Scam Center Strike Force Targets Southeast Asian Scam Centers
- Scam Center Strike Force Conducts Seizures of Chinese-Run Illicit Scammer Marketplace, and Restrains $52 Million in Laundered Crypto Scammer Funds In One Day
- China Forces Myanmar Scam Syndicates to Move to Thai Border
- China carries out further executions of Myanmar scam centre suspects
- malaymail.com
- China executes online scam ringleaders from Myanmar - ABC News
- China executes 11 members of Myanmar-based group in crackdown on scam operations - The Washington Post
- From casinos to scam-centres - by Ashley South
- Scam Centers ‘Alive and Kicking’ in Shan State
- Thailand cuts power supply to Myanmar scam hubs
- Thailand cuts electricity to Myawaddy, Payathonzu, and Tachilek in crackdown on border scam operations - ENG.MIZZIMA.COM
- Thailand Cuts Electricity to Scam Sanctuaries Across Myanmar Border
- Thailand cuts electricity and fuel supply to Myanmar border towns, sparking crisis - ENG.MIZZIMA.COM
- Thailand cuts power to Myanmar border areas home to scam compounds as Chinese pressure builds
- SpaceX disables thousands of Starlink devices being used by Myanmar scam centers
- Myanmar junta says it seized 30 Starlink receivers in scam center raid
- Myanmar Says It Repatriated 70,000 Foreigners Forced to Work in Scam-Centers
- 196 illegal KK Park buildings linked to telecom fraud razed
- Takeaways from The Associated Press report on Myanmar's crackdown on cyberscam centers
- UN Report: How AI, Crypto and Encrypted Apps Are Powering the Global Spread of Transnational Crime from Southeast Asia
- Laos Bestows National Development Award on Sanctioned Chinese ‘Crime Boss’
- Lao authorities raid more Golden Triangle scam centers as deadline passes
- Spotlight on Zhao Wei after KK Park scam crackdown
- Full article: China’s Interventions in ‘Gray Special Economic Zones’ in Southeast Asia’s Borderlands