Vozes e rostos deepfake em fraudes: o que se sabe em 2026
Fraudes que usam vozes e vídeos sintéticos passaram de raras a rotineiras em menos de uma década. A maior parte ainda é engenharia social convencional: uma história convincente, urgência e um pedido para movimentar dinheiro. Uma voz clonada ou um rosto falsificado torna esse pedido mais persuasivo.

Resumo
Fraudes que usam vozes e vídeos sintéticos passaram de raras a rotineiras em menos de uma década. A maior parte ainda é engenharia social convencional: uma história convincente, urgência e um pedido para movimentar dinheiro. Uma voz clonada ou um rosto falsificado torna esse pedido mais persuasivo. As perdas que as autoridades policiais conseguem confirmar são grandes, mas ainda representam uma pequena fatia do total de fraudes. Muitos dos números alarmantes de crescimento em circulação vêm de empresas que vendem produtos de detecção e de verificação de identidade.
Como a tecnologia funciona
Um clone de voz é um modelo treinado para copiar a voz de uma pessoa. Os sistemas modernos precisam de apenas segundos ou minutos de áudio limpo, que muitas vezes está disponível em redes sociais, podcasts, teleconferências de resultados ou saudações de caixa postal. O comunicado de utilidade pública do FBI de dezembro de 2024 (I-120324-PSA) diz que os criminosos "geram trechos curtos de áudio com a voz de um ente querido para se passar por um parente próximo numa situação de crise".[1] Clones de texto para fala leem em voz alta o que o golpista digitar. Conversores de fala para fala transformam, em tempo real, a voz de quem está falando ao vivo na voz da pessoa que se quer imitar.
Os vídeos deepfake funcionam de forma parecida. Programas de troca de rosto mapeiam o rosto de uma pessoa-alvo sobre a cabeça de um ator, quadro a quadro. Algumas ferramentas são rápidas o bastante para videochamadas ao vivo. Outras produzem vídeos pré-gravados, que são exibidos numa reunião ou publicados como anúncio. Os movimentos dos lábios, a iluminação nas bordas do rosto e as viradas bruscas de cabeça são os pontos em que essas ferramentas ainda tendem a falhar, embora as falhas estejam ficando mais difíceis de perceber.
As ferramentas são baratas. Uma entrevista de 2025 do ICAEW com o professor de segurança cibernética Oli Buckley registrou que aplicativos pagos de clonagem de voz custam apenas de US$ 5 a US$ 10 por mês, e muitas plataformas são gratuitas.[2] O relatório do UNODC de outubro de 2024 sobre o crime organizado no Sudeste Asiático identificou mais de dez fornecedores de software de deepfake voltados especificamente para grupos criminosos da região. O documento também registrou um aumento de 600% nas menções a deepfakes em canais criminosos do Telegram e em fóruns clandestinos monitorados entre fevereiro e junho de 2024.[3][4]
Como os criminosos a usam
Imitação de executivos e comprometimento de e-mail corporativo. O caso mais conhecido é o da Arup. Em janeiro de 2024, um funcionário do setor financeiro do escritório da empresa de engenharia em Hong Kong fez 15 transferências, num total de HK$ 200 milhões (cerca de US$ 25,6 milhões), para cinco contas bancárias locais.[5][6] Ele fez isso depois de uma videoconferência em que apareceram o diretor financeiro da empresa, sediado no Reino Unido, e outros colegas. A polícia de Hong Kong disse que todos os outros participantes eram falsos.[6][7] O superintendente sênior interino Baron Chan disse a jornalistas que os golpistas haviam encontrado "vídeo e áudio publicamente disponíveis das pessoas que seriam imitadas, no YouTube" e que os vídeos eram pré-gravados e não envolviam interação real com a vítima.[8] O funcionário havia suspeitado, a princípio, de um e-mail de phishing; a videochamada dissipou suas dúvidas.[6] A Arup confirmou ser a vítima em maio de 2024.[9] A polícia não informou prisões na época.[8]
Casos anteriores definiram o padrão. Em 2019, o Wall Street Journal informou que fraudadores usaram a voz clonada do presidente-executivo de uma empresa-mãe alemã para fazer o responsável por uma subsidiária de energia no Reino Unido transferir cerca de € 220.000.[2] No início de 2020, a voz clonada de um diretor de empresa e e-mails de um advogado fictício foram usados para movimentar cerca de US$ 35 milhões (veja A fraude de US$ 35 milhões com voz deepfake nos Emirados).[10] O Relatório de Crimes na Internet de 2025 do FBI diz que geradores de texto conversacional conseguem produzir "e-mails com tom oficial que imitam o CEO de uma empresa" e que a clonagem de voz é usada para pedir transferências bancárias. O relatório também registra mais de US$ 30 milhões em perdas com comprometimento de e-mail corporativo (BEC) em 2025 em que houve relato de ligação com IA.[11] Isso equivale a cerca de 1% do total de US$ 3,05 bilhões em perdas com BEC no ano.
Golpes da "emergência familiar" e contra avós. A voz clonada de um neto, filho ou amigo diz estar preso, internado ou sequestrado e pede dinheiro com rapidez. O relatório de 2025 do FBI registra mais de US$ 5 milhões em perdas com esses golpes de "emergência".[12] O órgão observa que eles estão "evoluindo para imitar outros familiares ou amigos próximos em diferentes tipos de cenário de emergência". Em dezembro de 2025, o FBI também alertou que criminosos estavam usando fotos e vídeos adulterados de "prova de vida" em golpes de sequestro virtual com pedido de resgate.[11]
Golpes românticos. Perfis falsos de relacionamento usam fotos geradas por IA. As conversas são redigidas ou traduzidas por chatbots. A troca de rosto permite que o golpista apareça em vídeo como a pessoa do perfil. O FBI registrou mais de US$ 19 milhões em perdas com golpes românticos e de confiança em 2025 com provável ligação com IA.[11] Esse valor pequeno quase certamente subestima o problema, porque as vítimas raramente sabem que houve uso de IA.
Golpes de investimento com figuras públicas em deepfake. Vídeos falsos de celebridades, CEOs e comentaristas financeiros promovendo plataformas de negociação ou "clubes de investimento" circulam como anúncios em redes sociais. O FBI afirma que esses clubes "empregam vídeos e vozes gerados por IA de celebridades, CEOs ou figuras de confiança". O órgão registrou mais de US$ 632 milhões em perdas com fraudes de investimento em que houve relato de ligação com IA em 2025, de longe a maior categoria ligada a IA. O FBI observou que as perdas totais com investimentos passaram de US$ 8 bilhões, "o que demonstra que muitas vítimas não percebem em que medida a IA pode estar envolvida".[11]
Imitação de autoridades. Em 15 de maio de 2025, o FBI alertou (I-051525-PSA) que, desde abril de 2025, "agentes mal-intencionados se passaram por altos funcionários do governo dos EUA" usando mensagens de texto e "mensagens de voz geradas por IA" para criar um vínculo de confiança e, em seguida, assumir o controle das contas das vítimas. Muitos dos alvos eram autoridades federais e estaduais, atuais ou antigas, e seus contatos.[13][14] O FBI emitiu um novo alerta em 19 de dezembro de 2025, informando que a campanha continuava.[11]
Sextorsão. Criminosos usam troca de rosto e ferramentas de "nudificação" para criar imagens explícitas a partir de fotos comuns e, depois, exigem pagamento. Às vezes usam imagens sintéticas para tornar crível uma identidade falsa. O FBI recebeu mais de 75.000 denúncias de sextorsão em 2025.[11] Um documento técnico do UNODC de setembro de 2025 apontou "indícios de que centros de golpes no Sudeste Asiático estão explorando a IA para praticar sextorsão".[15]
Como driblar as verificações de identidade (KYC). Bancos, corretoras de criptomoedas e aplicativos de fintechs pedem que novos clientes enviem um documento de identidade e façam uma selfie ou um vídeo curto. Os fraudadores respondem com documentos gerados por IA, rostos sintéticos ou "ataques de injeção", que injetam um vídeo deepfake diretamente no software de verificação, em vez de usar a câmera do celular. Em novembro de 2024, a Rede de Combate a Crimes Financeiros dos EUA (FinCEN) emitiu o alerta FIN-2024-Alert004.[16] Segundo o alerta, desde 2023 houve aumento nos relatórios de atividade suspeita que descrevem mídia deepfake, "em particular o uso de documentos de identidade fraudulentos para contornar a verificação de identidade".[17][18] A FinCEN pediu que os bancos marcassem esses relatórios com o código "FIN-2024-DEEPFAKEFRAUD".[19] O relatório de 2025 do FBI também descreve entrevistas de emprego em que "os gestos e o movimento labial da pessoa entrevistada diante da câmera não coincidem totalmente com o áudio", tática ligada a fraudes com trabalhadores remotos, inclusive esquemas de profissionais de TI norte-coreanos.[11]
Dimensão: o que os números mostram e o que não mostram
Os números mais confiáveis vêm das autoridades policiais e dos órgãos reguladores, e são parciais.
- IC3 do FBI, 2025: 22.364 denúncias com menção a IA, com US$ 893,3 milhões em perdas ajustadas.[11][20][21] Foi o primeiro ano em que esse descritor apareceu no relatório anual.[22] Ele capta apenas os casos em que o denunciante mencionou IA (veja O que os dados do FBI mostram sobre fraudes, golpes e IA).
- FinCEN: confirma um aumento nos relatórios de atividade suspeita relacionados a deepfakes desde 2023, mas não publicou contagens.[23]
- UNODC: informa o aumento de 600% nas menções a deepfakes em canais criminosos no início de 2024. O relatório de outubro de 2024 também cita um aumento de 1.530% nos crimes relacionados a deepfakes na região da Ásia-Pacífico entre 2022 e 2023, com base em dados do setor.[24][25]
Os números divulgados pelo setor são maiores e menos certos. Cada um vem de uma empresa que vende produtos de detecção, verificação de identidade ou segurança. Cada um descreve apenas o que os clientes daquela empresa viram.
- O Relatório de Fraude de Identidade 2026 da Entrust, baseado em mais de um bilhão de verificações de identidade, encontrou deepfakes em uma de cada cinco tentativas de fraude biométrica. Informou alta de 58% em selfies deepfake e de 40% em ataques de injeção. Isso mede as tentativas dentro da rede da Entrust, não a fraude na economia como um todo.[26]
- O Índice de Fraude de Identidade da Shufti projeta alta de 495% na fraude de identidade com deepfakes em 2026 e de 3.892% nos deepfakes de documentos. São projeções anualizadas a partir de cinco meses de dados da própria empresa, não resultados anuais observados.[27][28][29]
- O Relatório de Inteligência e Segurança de Voz 2025 da Pindrop, divulgado em junho de 2025 e baseado em mais de 1,2 bilhão de chamadas de clientes, afirmou que as tentativas de fraude com deepfakes contra os clientes de call center da empresa subiram mais de 1.300% em 2024, de cerca de uma por mês para sete por dia.[23]
- O relatório de 2024 da Signicat, The Battle Against AI-Driven Identity Fraud, uma pesquisa com mais de 1.200 responsáveis por decisões sobre fraude na União Europeia e no Reino Unido, constatou que os deepfakes passaram de 0,1% para 6,5% das tentativas de fraude em três anos, um aumento de 2.137%. Esse número é amplamente repetido sem atribuição.
- O Relatório de Ameaças de Deepfake H1 2026 (primeiro semestre) da Resemble AI verificou 821 ataques a partir de 1.760 reportagens em seis meses.[26]
- A Surfshark, com base em bancos de dados públicos de incidentes, estimou as perdas globais documentadas com fraudes de deepfake em US$ 2,19 bilhões (numa edição anterior) e em pelo menos US$ 3,7 bilhões de janeiro de 2020 a junho de 2026 (numa edição posterior). Ela afirma que a maior parte dessas perdas foi registrada de 2025 em diante.[30][31] As duas edições divergem porque abrangem períodos diferentes. Ambas contam apenas perdas divulgadas publicamente.
Essas fontes apontam na mesma direção: mais tentativas, mais perdas e falsificações mais convincentes. Suas porcentagens não devem ser comparadas nem somadas. Taxas de crescimento muito altas muitas vezes refletem pontos de partida pequenos, mudanças no que as ferramentas de um fornecedor conseguem detectar ou o crescimento da base de clientes dele. Algumas afirmações muito compartilhadas, como a de que "menos de 5% das vítimas de clonagem de voz denunciam",[20] circulam sem uma fonte primária rastreável e devem ser tratadas como não verificadas.
Detecção e defesa
Existem programas de detecção de voz sintética, de troca de rosto e de ataques de injeção, e os bancos cada vez mais os exigem. Eles não são confiáveis por si sós. Detectores treinados com uma geração de ferramentas deixam passar a seguinte. Num estudo da iProov divulgado em fevereiro de 2025, apenas 0,1% de 2.000 consumidores do Reino Unido e dos EUA, que haviam sido orientados a procurar deepfakes, identificaram corretamente todos os itens reais e falsos que lhes foram mostrados; portanto, o julgamento humano também não é uma salvaguarda confiável.
As defesas que funcionam melhor são de procedimento:
- Verifique por um canal separado. Ligue de volta para a pessoa num número que já conste dos seus registros, não num número informado na mensagem. No caso da Arup, a própria videochamada foi a etapa de verificação falsa.[32]
- Exija a aprovação de duas pessoas para pagamentos grandes ou incomuns, e não admita exceções para negócios "confidenciais" ou pedidos urgentes de altos executivos.
- Use palavras-código em família. O FBI recomenda combinar com os parentes uma palavra ou frase secreta para emergências.[12]
- Limite a exposição pública de áudio e vídeo sempre que for viável e deixe as contas de redes sociais privadas. O FBI recomenda as duas medidas.[33]
- Reforce a verificação: testes de prova de vida que resistam a ataques de injeção, autenticação multifator resistente a phishing e tratamento da autenticação por voz como um recurso fraco. A FinCEN inclui verificações ao vivo e autenticação multifator resistente a phishing entre as práticas que recomenda.[34]
- Denuncie rápido. A Recovery Asset Team (equipe de recuperação de ativos) do FBI congelou US$ 679 milhões de US$ 1,16 bilhão em tentativas de roubo em 2025, uma taxa de sucesso de 58%.[11][35] O sucesso depende da rapidez com que a denúncia chega até ela.
Respostas regulatórias
Em fevereiro de 2024, a Comissão Federal de Comunicações dos EUA decidiu que vozes geradas por IA em chamadas automáticas são "artificiais" nos termos da Lei de Proteção ao Consumidor de Telefonia, o que torna ilegais, sem consentimento, as chamadas automáticas não solicitadas com voz de IA. A Lei TAKE IT DOWN, sancionada em maio de 2025, torna crime federal publicar imagens íntimas sem consentimento, inclusive as geradas por IA, e obriga as plataformas a removê-las mediante solicitação. O alerta da FinCEN definiu expectativas de comunicação para os bancos, mas não criou nenhuma nova obrigação legal.[18] Na União Europeia, as regras de transparência da Lei de IA exigem que conteúdos deepfake sejam rotulados; elas valem a partir de agosto de 2026. Em outros lugares, as respostas vieram sobretudo por meio de leis já existentes sobre fraude, crimes cibernéticos e proteção de dados, de alertas públicos e de regras bancárias que se afastam dos códigos de uso único por SMS e da verificação por voz. As medidas dos Emirados Árabes Unidos são tratadas em A fraude de US$ 35 milhões com voz deepfake nos Emirados.
O que está estabelecido e o que não está
Está estabelecido que a clonagem de voz e os deepfakes em vídeo foram usados em fraudes confirmadas, algumas na casa das dezenas de milhões de dólares. As ferramentas são baratas e amplamente disponíveis. As autoridades policiais dos EUA, de Hong Kong, dos Emirados Árabes Unidos e de outros lugares documentaram casos específicos. É apenas uma estimativa que a fraude com deepfakes esteja crescendo centenas ou milhares de pontos percentuais por ano; isso se apoia sobretudo em dados de fornecedores. É incerto qual fatia do total de perdas com fraudes a IA realmente responde, porque quase nenhum sistema de denúncia consegue dizer se um golpista usou IA, a menos que a vítima tenha percebido.
Fontes
- Internet Crime Complaint Center (IC3)
- How to guard against voice cloning and deepfake scams
- www.malaymail.com
- AI-Powered Cybercrime Cartels on the Rise in Asia
- Arup Deepfake Fraud 2024: Fake CFO Video Call, HK$200m
- Arup revealed as victim of $25 million deepfake scam involving Hong Kong employee
- Arup victim of multimillion-dollar deepfake video scam in Hong Kong
- Deepfake scam video cost company $26M — Hong Kong police
- Arup Deepfake: How An AI-Generated Video Stole $25 Million
- Fraudsters Cloned Company Director’s Voice In $35 Million Heist, Police Find
- FBI Internet Crime Complaint Center, 2025 Internet Crime Report (PDF)
- AI Voice Clone Scams - How to Spot a Fake Family Emergency
- FBI warns of AI voice messages impersonating top U.S. officials
- FBI warning: Criminals use AI to send malicious texts, voicemails impersonating U.S. officials
- Emerging threats: The intersection of criminal and technological innovation
- From Forgeries to Foundation Models: A Systematic Survey of Identity Document Attack and Detection
- FinCEN issues alert on deepfakes targeting financial institutions
- What is FinCEN's Deepfake Fraud Alert?
- FinCEN Alert DeepFakes Alert508FINAL
- Voice Cloning Is the New BEC: Deepfake CEO Fraud in the US
- 2025 IC3 Report Snapshot - Elder Law & Advocacy
- FBI IC3 Report 2025: $20.9B in Cybercrime Losses: Key Takeaways for Security Teams
- Deepfake Detection Market - Opportunity Analysis and Industry Forecast (2026-2036)
- Southeast Asian criminal groups run amok on Telegram, UN says
- UNODC Report Reveals Criminal Gangs in Asia Getting Big Assist From AI, Crypto, and More - Cyber Security Asia
- Deepfake Statistics 2026: Fraud, Identity & Detection
- Deepfake-Powered Identity Fraud Is Surging in 2026: Shufti's Identity Fraud Index Report Reveals
- Deepfake Identity Fraud Poised to Increase Nearly 500 Percent in 2026
- Deepfake Statistics 2026 Reveal a 3,892% Fraud Surge - Memeburn
- Deepfake Fraud in 2026: The $3.7B Problem and How to Defend
- Deepfake Statistics 2026: AI Fraud by the Numbers
- $25 million and a video call: what the Arup deepfake scam changed
- FBI issues warning on AI used for financial fraud
- FinCEN Alert on Fraud Schemes with Deepfake Media
- FBI IC3 2025 report: Email fraud is now a $4 billion problem